Entender a flutuação de preços

Comecemos por compreender porque variam os preços dos ativos financeiros. A cada momento estes resultam do equilíbrio entre a oferta e a procura. Assim, se houver uma procura maior do que a oferta os preços tendencialmente sobem, caso contrário o preço terá condições para descer. A primeira situação ocorre, muitas vezes, em épocas de otimismo, quando os investidores estão convencidos do potencial de determinado ativo e estão na expetativa de que ele valorize no futuro. Nesta situação, mais investidores ficam interessados em adquirir esse ativo chegando a uma situação em que a procura é maior do que a oferta. Assim existem condições para que o preço suba e se assista a uma valorização do ativo. Em baixo apresentamos um exemplo do resultado daquilo que pode ser uma pressão compradora avassaladora, recorrendo à ação da Tesla durante este ano.

Valor das ações da Tesla entre Fevereiro e Setembro de 2020

Entre as duas linhas a azul temos um exemplo de período prolongado em que o otimismo e expetativa de valorização dos investidores levou a que a pressão compradora fosse bastante maior que a vendedora, ou seja, existiam mais investidores a querer comprar a ação do que a vender, o que constituiu o combustível perfeito para assistirmos a uma valorização de cerca de 290%.

Uma situação oposta pode acontecer quando estamos perante uma força vendedora expressiva. Este caso pode suceder quando existe pessimismo nos investidores e estes não conseguem visualizar um futuro risonho para determinado ativo. Muitas vezes esta situação acontece em momentos de pânico durante os quais os investidores querem desfazer-se dos seus investimentos a qualquer custo para ficarem de fora dos mercados.

Em baixo apresentamos um exemplo dramático daquilo que a pressão vendedora provocou na ação da transportadora área American Airlines, no início deste ano:

Valor das ações da American Airlines entre Janeiro e Junho de 2020

Entre as linhas a azul podemos ver uma quebra vertiginosa do preço da ação ocorrido no período em que o novo coronavírus se alastrou por todo o mundo causando um clima de pânico, medo e incerteza em relação ao futuro. As medidas de confinamento impostas pela maior parte dos governos fizeram com que as ligações aéreas tivessem cortes nunca antes vistos provocando assim um quase total corte das fontes de receitas das companhias aéreas, tais como a American Airlines. Neste período assistimos a um clima de pessimismo entre os investidores que os levou a quererem vender as suas posições de forma massiva. Como do lado comprador não existiu uma força equivalente, ou seja, um número de compradores suficiente para acomodar toda a oferta, o preço desceu de forma bastante pronunciada.

Investimentos que sobem sempre

Um desejo de muitos investidores é encontrarem investimentos que possam valorizar sempre e habitualmente surgem artigos que elevam determinados ativos a este estatuto. Mas será mesmo verdade? É possível encontrar investimentos que subam sempre independentemente das circunstâncias? Na verdade, não é fácil responder a esta pergunta apenas com um “sim” ou “não”.

Por um lado, há que clarificar exatamente o significado de “valorizar sempre”. Se considerarmos um ativo que apenas conhece subidas e raramente descidas então a resposta é não. Não há nenhum ativo que suba apenas. Todos eles têm períodos de valorização e de desvalorização obedecendo habitualmente aos ciclos bolsistas.

Por outro lado, há que ter em conta o horizonte temporal de investimento. Um horizonte de tempo mais alargado faz com que eventuais crises económicas/financeiras estejam mais diluídas fazendo com que haja condições para um ativo valorizar. Exemplo disso é o índice S&P500 onde não é possível identificar nenhum período de 10 anos na história, no qual este tenha perdido valor. Mesmo que o investidor tivesse entrado no mercado na pior altura possível (num pico de valorização antes de uma crise), 10 anos depois o seu investimento tinha valorizado.

A procura do equilíbrio

Apesar de muitos investidores fazerem da procura de ativos que valorizem sempre o seu maior objetivo, na verdade esta pode não ser a abordagem mais recomendável. É preferível empenhar-se em construir uma carteira de investimentos suficientemente diversificada cuja performance histórica de alguns ativos seja inversamente correlacionada. Isto significa que em momentos em que as condições económicas provocam a queda de alguns ativos haverá outros que valorizam e assim podem compensar as perdas dos primeiros. Posto isto, mais do que procurar construir uma carteira com investimentos que valorizem sempre, torna-se mais importante reunir um grupo de ativos que, em conjunto, tenham a capacidade de atravessar com valorizações os diversos ciclos e circunstâncias do mercado. Dentro da carteira poderá existir em cada momento investimentos cujo preço subiu em relação ao preço de custo e outros cuja cotação desceu mas, o importante, é que no conjunto, exista uma valorização.

A diversificação referida acima com o objetivo de conseguir uma apreciação constante do investimento é a estratégia seguida habitualmente pelas equipas de gestão dos fundos de investimento. Desta forma, particularmente o pequeno investidor fica liberto das tarefas de procura, pesquisa e análise que são necessárias para construir uma carteira de investimentos abrangente e diversificada.

Conclusão

A procura de investimentos que valorizem sempre, por si só, poderá não ser a melhor abordagem a ter na bolsa de valores. Acaba por ser mais eficaz a busca por investimentos que permitam construir uma carteira de investimentos diversificada, capaz de fazer face a diferentes situações do mercado. Os fundos de investimento podem ser uma boa opção para seguir esta estratégia já que através de uma análise profissional os seus gestores procuram investimentos que, no seu conjunto, tenham a capacidade de originar retornos positivos ao longo do tempo.